No: O Carcará
Nestes casos, a internet funcionou como uma trincheira para circular a informação e organizar movimentos democráticos. Na última semana, as redes sociais brasileiras também deram um exemplo de força. Leitores de CartaCapital em Goiás denunciaram o sequestro da edição 691 da revista, comprada misteriosamente em lotes por cliente nas bancas da cidade.
A “operação” ocorreu n o domingo 1º, logo após a abertura das lojas por volta de 8h da manhã. Na capa, havia reportagem sobre a relação comprometedora do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o governo do tucano Marconi Perillo (leia a reportagem completa clicando AQUI).
Devido ao elevado número de avisos dos internautas, a reportagem percorreu, na terça-feira 3, cerca de 100 quilômetros em Goiânia para averiguar a situação nas principais bancas da cidade. Não encontramos a revista e confirmamos as informações dos leitores. (Leia mais aqui)
Em meio à tática denunciada pelos internautas, Pedro Celio Alves Borges, doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal de Goiás, defende que a atitude é “completamente inócua”, devido à circulação livre de informações pela internet.
“A comunicação dos textos e também das imagens não se dá mais principalmente pelos exemplares nas bancas. A web é um território livre com diferentes redes, listas e circuitos de comunicação informal. Isso tem muito mais efetividade.”
Tudo isso, devido às redes sociais, que mobilizaram um público jovem contra a atitude, antes diretamente fora deste círculo, diz o professor da UFG. “O poder de irradiação de uma atitude fora de contexto como esta cresce em tempos e internet.”
Caso exemplificado por Costa, ao relatar que um estudante universitário, indignado com o sequestro das revistas, se juntou a um grupo de colegas e tirou 230 fotocópias da reportagem sobre Goiás. “Eles a distribuíram gratuitamente em praça pública para denunciar.”
“A internet é um instrumento recente importantíssimo e precisa ser aperfeiçoado, pois contribui para uma visão mais crítica da população”, completa e deixa a mensagem: “esses instrumentos não agem sozinhos, é preciso indivíduos a fim de propagar as informações.”
Segundo Borges, o sequestro das revistas denunciado pelos leitores indica que opinião pública moderna não convive com esse tipo de atitude em plena democracia.
“O meio tecnológico da informação é cada vez mais predominante e hegemônico, e as novas democracias se abastecem também nos ambientes virtuais.”
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